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Algumas considerações sobre a música Folk, por Eric Taylor Escudero

O termo folk deriva da palavra folklore, que segundo o dicionário Cambridge inclui as histórias, crenças e costumes de um povo. Naturalmente, a produção cultural varia muito entre diferentes povos, por isso, nesse texto, trataremos principalmente da música folk Britânica e Estadunidense.

Tradicionalmente, o músico folk nos países de língua inglesa apresentava canções folclóricas de diversos compositores ou mesmo de autores desconhecidos, sendo principalmente um intérprete. Essas canções eram apresentadas em reuniões das mais diversas, principalmente em ambientes rurais, onde o lazer acontecia dentro das casas ou centros comunitários locais. Essas reuniões, chamadas pelos escoceses de Ceilidh, eram muito comuns na Grã-Bretanha.

Na música folk tradicional era comum apresentar uma história, frequentemente de amor, ou trazer reflexões da vida cotidiana e do trabalho. Os sea chanties, por exemplo, eram canções entoadas pelos marinheiros.  Um exemplo de canção tradicional que apresenta essa temática é The Banks Of Newfoundland.

Durante o século XX, vimos o surgimento de diferentes compositores folk. O espaço da música nesse gênero migra do ambiente doméstico para a rádio e os grandes festivais de música. Um dos artistas que rompeu com a lógica do músico folk como intérprete foi Bob Dylan. Dono de uma voz incomum e não sendo um exímio instrumentista, Dylan era antes de mais nada um compositor. Suas canções apresentavam longas reflexões ou histórias sobre os mais diversos assuntos em uma ótica contemporânea. Como consequência, se tornou uma das vozes mais influentes dos anos 60, expressando preocupações e opiniões políticas comuns entre os jovens ao redor do mundo.

Outros importantes nomes dessa época foram Leonard Cohen, John Denver, Bert Jansch, Donovan, Neil Young, The Byrds (um dos expoentes do folk-rock) etc.

A música folk varia bastante dos dois lados do atlântico. No lado norte-americano há uma clara relação entre folk, blues, country e mesmo outros estilos locais, como o Bluegrass e Honky Tonk, sendo comum o uso de instrumentos como a gaita e o banjo. Do lado britânico identificamos o uso do acordeon, da flauta e do violino ou fiddle, tocado de maneira bastante distinta se comparado ao folk norte-americano.

Dentre alguns nomes contemporâneos do gênero podemos citar, no lado norte-americano, artistas como Conor Oberst, Ryan Adams, Gregory Alan Isakov, Jakob Dylan, Sufjan Stevens entre outros. No lado britânico, considerando o folk tradicional, temos alguns artistas como o violinista John McCusker, as cantoras Karine Polwart e Kate Rusby, além dos cantores-compositores como Roddy Woomble, Fionn Regan, Johnny Flynn, entre outros que apresentam uma versão mais ‘moderna’ do gênero.

Lau é um exemplo de grupo folk moderno que mescla influências tradicionais e música contemporânea:

Atualmente o termo “folk” está bastante desgastado, sendo usado para descrever os mais diversos tipos de música e possuindo diferentes subgêneros, como o Antifolk (Unfolk), o Urban folk etc.

E no Brasil?

O termo folk passou a ser mais usado em terras brasileiras recentemente. Nesse caso, se refere frequentemente a compositores e artistas que apresentam material inédito, com instrumentação semelhante à dos artistas britânicos e americanos, tendo uma forte semelhança com o rock acústico.

Considerando o conteúdo das letras, é possível fazer um paralelo entre a música folk e o sertanejo de raiz. Ambas apresentam histórias e reflexões a respeito do trabalho e da vida do homem comum. É possível notar essas semelhanças desde a música de Tião Carreiro até os mais recentes lançamentos de Almir Sater e Renato Teixeira.

Ouça a playlist com alguns dos nomes mencionados nessa matéria:

Ouça a playlist de folk brasileiro do spotify:

Créditos da imagem de destaque: Fergus Scottish Festival

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