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Entre Riffs e Harmônicos: a trajetória de Adriano Mota

Como entrevistar alguém que lida profundamente com o abstrato, que transita em complexas harmonias musicais, empunhando sua guitarra e, ao mesmo tempo, mobilizando artistas que se entregam aos seus projetos?

Adriano Mota tem estilo próprio quando está tocando seu som. Preocupado com a utilização das técnicas mais avançadas e em busca dos timbres perfeitos, não deixa de lado o compromisso de comunicar seus sentimentos – e dá mesmo para aferir tudo isso – com bastante honestidade ao público que acompanha de perto seu trabalho.

O som da sua guitarra é cortante na alma. Muitas vezes, mesmo quando é um som instrumental, dá para pensar em palavras, das mais belas, na tentativa de trazer algum sentido às riquezas harmônicas – essa é uma marca na arte musical dele, engajar-se em detalhar cada acorde, mostrando a importância de cada nota, perspicaz em solos surpreendentes. Quase uma metáfora quando percebemos músicos entregues à música, ou aos significados vitais e poéticos de uma canção.

Acompanhe os projetos artísticos desenvolvidos por Adriano e verá sua facilidade em mobilizar pessoas que se entregam à arte e inspiram sonhos através da música.

Observamos alguns comentários de vídeos que Adriano posta em seus canais nas redes e mídias sociais, e muitos admiradores, assim como nós da redação do Portal Inspirando Sonhos, gostaríamos de ver no ar mais composições dele. Mas, ainda com mais peso, as pessoas apontam aos montes o quanto o Mota compõe enquanto interpreta canções já consagradas, principalmente as do Rosa de Saron.

Percebe-se com facilidade o quanto canções como “Ninguém Mais”, “Máquina do Tempo”, “Se”, “Incompletude” e outras diversas composições de Guilherme de Sá, Rogério Feltrin e Eduardo Faro, são repletas de significados à musicalidade – impecável – de Adriano Mota. Tanto é que ele dá suas próprias interpretações dessas músicas do Rosa e de grandes sucessos internacionais já conhecidos pelo grande público. Sim, ele também possui a habilidade rara para muitos intérpretes, principalmente os instrumentais, de demonstrar o quanto uma mesma canção pode ter infinitas possibilidades interpretativas.

Referência para guitarristas e músicos em geral, de todo Brasil, inclusive para nós que somos mergulhados nas veredas infinitas da arte e cultura. Fique com as palavras, Adriano. Agora é sua vez de expressar as particularidades de seu trabalho e de sua trajetória!

Inspirando Sonhos: Como alcançou essa completude musical? Quais foram seus mentores nessa caminhada? Queremos que compartilhe conosco um pouco de sua trajetória artística. Se for o caso, pode remontar as raízes de sua infância, intercalando com sua caminhada musical.

É uma história que vem desde os meus 9 anos de idade. O ano era 1996, férias na casa de minha avó. Foi quando tive a curiosidade de aprender 3 acordes com minha mãe. Dali pra frente, despertou ainda mais a vontade de seguir na área musical. Em 2002, ingressei na escola de música Feeling Ritmos e Cordas, tendo como professor um músico renomado no país, Alexandre Freitas. Na Feeling foi onde aprendi praticamente tudo, tanto teoria e prática musical, como administrar carreira e lecionar aulas de música também. Desse início até hoje foi um longo caminho, com muitos amigos e parcerias. Pude tocar com vários artistas católicos como Anjos de Resgate, Beatrix, Adrielle Lopes, Netinho Cruz e, além disso, tive minha banda, intitulada no início como Doutor Ignis, em seguida o “Doutor foi embora” e ficou apenas o “Ignis” (risos). E além de todos esses amigos, em 2005, conheci os meninos do Rosa de Saron, com quem tive a oportunidade de manter uma amizade até hoje. Em 2011, ingressei na banda como músico de apoio e de lá pra cá tem sido uma grande mudança positiva em minha vida.

Inspirando Sonhos: Como passou a ser músico convidado do Rosa de Saron? Quais impactos essa parceria têm em sua vida?

Como mencionado na resposta anterior, conheço o Rosa desde 2005, quando pude tê-los como amigos. Em 2010, o músico de apoio deles precisou se ausentar da banda e surgiu o convite para eu ingressar na banda em 2011. Desde então, o Rosa tem sido uma casa de aprendizado para mim, não só como músico, mas na vida. Sempre tive o apoio da banda para fazer meu trabalho paralelo com a Ignis, na época ativa, e também com meus trabalhos no Youtube, a partir do ano de 2013. O Rosa solidificou minha carreira em um todo, sou muito grato pela oportunidade de poder fazer parte disso e vivenciar coisas que jamais teria a oportunidade se não fosse por eles!

Inspirando Sonhos: Guitarra, como desenvolveu sua paixão por este instrumento?

Comecei no violão, mas quando ouvi o som distorcido ligado a um pedal e amplificador, foi paixão à primeira vista. Apesar de toda a dificuldade em adquirir equipamentos bons no início, sempre busquei em tirar o melhor som de minha guitarra. Hoje tenho desbravado novos horizontes na guitarra e parti para o estilo jazz, com o professor Luciano Bittencourt, do Instituto Musical Bittencourt. Tem sido uma experiência única e desafiadora.

Inspirando Sonhos: Você conhece as belezas deste Brasil e talvez de até outros lugares do mundo… Quais são os acontecimentos mais inusitados na estrada. Como é vivenciar estes fatos, fazendo o que você mais gosta, tocando?

Apesar de parecer que todo músico conhece o Brasil quando viaja fazendo shows, não é bem assim. Pelo menos no Rosa, as logísticas são bem apertadas de tempo. O Rosa sempre foi excepcional nas logísticas, o que diminuem as chances de imprevistos. Mas, houve muitas situações marcantes, em que para conseguir fazer o show, pegamos avião, ônibus e barco. Ou de ficarmos três noites sem dormir devido às distâncias das cidades, sendo necessários vários voos até chegar ao destino, consequentemente nos levando muitas vezes a dormir em chão de aeroporto. Pra quem pensa que existe glamour, está enganado (risos).  Então, normalmente não sobra muito tempo para conhecer as cidades onde acontecem os shows, a não ser que tenha um day off entre shows que possibilita passear um pouco.

Inspirando Sonhos: Você compõe? Como é a experiência de interpretar uma música, sendo sua ou de outros compositores?

Tenho apenas duas canções lançadas no mercado fonográfico, que foi pela banda da qual fiz parte, Ignis. Não tenho muitas composições e tenho consciência de que preciso melhorar essa aresta, pois compor faz parte da história do músico. Sobre interpretar outras obras, sempre é gratificante. Penso que é uma demonstração de carinho ao dono da obra. Eu adoro pegar canções e rearranjar, tanto é que quem me acompanha no YouTube sabe exatamente como realizo e me dedico a isso.

Inspirando Sonhos: O que é espiritualidade para você e quais significados isso traz para sua arte?

Existe uma conexão de energia, ou talvez seja algo único entre a musicalidade e espiritualidade. Por muito tempo eu sofria em saber o quanto sou falho e o quanto isso poderia desagradar a Deus, mas com a experiência de viver, a gente sente de fato o amor Dele e que ele nos aceita mesmo com nossos erros. Desde então, tem sido mais leve o caminhar. E de forma bem resumida, penso que quanto mais sincero seus sentimentos na questão espiritual, mais sincero é a expressão musical que você imprime aos ouvintes.

Inspirando Sonhos: Quais sentidos você atribui à palavra artista?

Um grande erro da maioria é atrelar a palavra artista ao glamour, dinheiro e fama. Pra mim, artista nada mais é do que a pessoa que faz arte. Seja o músico, o pintor, o malabarista. Por trás de uma bela arte, sempre vai existir um grande artista.

Inspirando Sonhos: Pode nos falar de suas memórias escolares? Seu tempo na escola…

Eu sou o cara que sofria bullying na escola, só não existia a palavra ainda (risos). Apesar disso, foram bons tempos. Nunca fui o aluno exemplar, mas sempre busquei atingir minhas metas e claro, levar meu violão às vezes pra fazer um som com os amigos da escola. No colegial já participava de festivais musicais. Fizemos várias apresentações com a banda da escola. Foi uma fase bem bacana.

Inspirando Sonhos: Quais são os sentidos da vida? Como você os expressa através da sua arte?

Sempre faço essa pergunta a mim mesmo, qual o sentido da vida? E sempre que passo por uma perda de um ente querido, essa pergunta fica mais gritante. O que tem me ajudado a ser uma pessoa melhor, não que eu tenha conseguido com êxito, é pensar que tudo um dia vai acabar. Já pensou nisso? Daqui há 150 anos, ninguém de nós estará aqui. E o que eu faço para encerrar minha passagem aqui? Acredito que tenho mais perguntas do que respostas, mas posso resumir tudo em uma palavra, o amor. Quando fazemos com amor, reagimos com amor, quando damos a outra face, tudo fica mais leve, mesmo que naquele instante não pareça. Então, “basicamente”, é viver e fazer minha arte com amor que, com certeza, o resultado sempre será positivo.

Inspirando Sonhos: Qual pergunta não fizemos, mas deseja abordar?

Como mencionei acima, tenho um trabalho no Youtube com vários amigos compondo essa história. Atualmente, sigo a caminhada de projetos com a cantora Vanessa Macedo, que participou do The Voice Brasil 2015, com os músicos Caio César, Helinho Duka, Henrique Soldatti e Marcus Paulo. Recentemente, lançamos dois vídeos, um em janeiro, com a participação do Eduardo Faro e outro em março, com a participação do cantor Renato Vianna. Quem ainda não conferiu, é só acessar: youtube.com/MotaAdriano.

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