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A (in)completude do amor na voz de Vanessa Macedo

Geralmente ficamos sem palavras quando ouvimos um conjunto de músicas agradáveis, somos envolvidos de sensações particulares, inexplicáveis. Só sabe, realmente, quem sente, por mais que se tente explicar, buscando palavras acumuladas em todo um repertório de vida. Não tem como. É indizível a oportunidade, quase que exclusiva, de simplesmente sentir.

Composições musicais explicam parte de nossos sonhos, amores, decepções, ironicamente, nossas quedas ou o quanto zombamos de nossos tropeços, histórias que nos inspiram ou nos dão a dádiva de refletir sobre nossa existência. Música é harmonia e poesia; a busca do abstrato; tela pintada em forma de som, com a aspiração de descrever o mundo da forma que ele é ou busca ser. O ato de criar nos permite experimentar um pouco do divino.

Compor, sensivelmente, explicações sobre os nossos dias, angústias e medos, esperança utópica – ou irônica – de um amanhã que nunca chega. Estes e outros temas são abordados no EP “À Sua Espera”, de Vanessa Macedo. Composto na íntegra por ela, nos insere no universo demasiadamente humano, quando o assunto é a complexidade de amar e de nossa relação profunda com o simples ato de existir, plenamente.

Não se engane, em suas letras, quando o assunto é relacionamento, ela não está tratando de amores infantilizados, muito pelo contrário. Vanessa nos demonstra a maturidade de amar, decidir sem ser escravo da decisão do outro. Dá para perceber que ela não banaliza o amor, como faz inúmeros compositores e compositoras. Os desafios são colocados em pauta, as contradições em amar, sem necessariamente ter a obrigação de esperar ser correspondido. Em suas letras, ela coloca esta temática ao avesso, nos fazendo refletir sobre nossa própria história e algumas de nossas convicções.

Não precisa de tantas justificativas para reafirmar a sua importância como compositora e intérprete. Como compositora já afirmamos o compromisso dela com a poesia, entrelaçada com as riquezas harmônicas e a complexidade de descrever nossos dias em detalhes, através de suas experiências pessoais, de vida. E ainda quando o assunto é interpretar músicas de autoria de outros artistas, Vanessa faz isso com tanta maestria que, na maioria dos casos, ficamos com dúvida se a música é também de autoria dela, mesmo quando estamos falando de canções já conhecidas e consagradas. Habilidade rara, colocando-a no mesmo patamar das talentosas intérpretes da música brasileira.

Inspirando Sonhos: Como alcançou essa completude musical? Quais foram seus mentores nessa caminhada? Queremos que compartilhe conosco um pouco de sua trajetória artística. Se for o caso, pode remontar as raízes de sua infância, intercalando com sua caminhada musical.

A minha paixão pela música começou desde muito cedo, na verdade desde que me conheço por gente. Sempre que eu via uma oportunidade de cantar, logo aproveitava sem nem hesitar. Porém, por muito tempo foi algo apenas amador. Tive algumas aulas de música na escola, mas só pude realmente começar a estudar música como eu gostaria quando eu já tinha 15 anos. Em 2010, fiz um intercâmbio cultural para os Estados Unidos e morei lá por 10 meses. Lá, continuei estudando violão, canto e também teatro. Quando voltei ao Brasil, fui cursar a faculdade de Nutrição em Botucatu, mas nunca deixando a música de lado. Participava de eventos, festivais de música da cidade, e assim ia levando. Foi durante a faculdade que tentei a participação no programa The Voice Brasil, primeiro em 2013 e depois em 2015 que foi o ano em que a cadeira virou! Essa experiência para mim foi a confirmação de que ser artista era o que eu queria para a minha vida, foi um grande aprendizado. Em 2016, após o término do programa, juntei as composições que tinha até o momento e comecei o processo de produção do meu EP. Primeiro lancei a música “À sua espera” como single, ainda no ano de 2016, seguida também do lançamento do clipe oficial dela e, então, em 2018, lancei o restante das músicas no EP que levou o mesmo nome do single. E agora ainda tem muita estrada pela frente.

Inspirando Sonhos: “À Sua Esperatrata de relações humanas, desencontros, do inesperado. Conte um pouco como foi o processo de composição, concepção, deste EP…

A música “À sua espera” foi minha primeira composição. Assim que aprendi os primeiros acordes no violão ela nasceu, ou pelo menos a primeira parte dela. Eu sempre fui uma pessoa apaixonada, sonhadora e sempre acreditei no amor. Hoje em dia ouço muita gente ridicularizando o assunto, que amor é bobagem, que não existe amor de verdade, mas eu nunca vou deixar de acreditar. A música “À sua espera” fala bem sobre isso. A primeira parte surgiu quando eu ainda tinha 15 anos e ela ficou esquecida por uns anos na gaveta. Quando fui terminá-la, já tinha 20 anos, mas ela ainda fazia todo o sentido para mim, essa coisa de esperar pela pessoa certa e continuar acreditando no amor, mesmo quando te dizem que você é louca. As outras canções foram surgindo aos poucos, a partir de experiências que vivi, relacionamentos que deram certo, outros nem tanto, mas cada uma tem um significado especial para mim. O processo todo durou uns cinco anos, desde compor até decidir realmente gravar e lançar o trabalho. É praticamente um filho. Mas apesar do longo processo, valeu a pena pois saiu um trabalho que é realmente a minha cara, quem escutar vai também acabar conhecendo um pouco mais sobre mim e minha personalidade.

Inspirando Sonhos: Conhecemos seu trabalho por conta das interpretações que fez de canções de outros artistas, principalmente, do Rosa de Saron. Qual foi a importância das suas parcerias para levar este projeto à frente e como é para você dar seu próprio tom em músicas compostas por artistas que você admira?

Eu acho que as parcerias, quando feitas com as pessoas certas, podem enriquecer muito um trabalho, um pode aprender com o outro, a gente sempre tem algo que aprender e também para ensinar, e todas as parcerias que fiz até hoje foram importantes por isso, sempre aprendi alguma coisa diferente que fizeram de mim uma artista melhor. A parceria com o músico e produtor Adriano Mota, por exemplo, foi muito enriquecedora para mim e acredito que também contribui positivamente com o projeto que já era executado pelo Mota. A presença de músicas do Rosa de Saron já era uma característica do projeto e passei a conhecer mais a banda a partir da minha participação nos últimos trabalhos lançados. Eu gosto de interpretar músicas com as quais de alguma forma me identifico e, assim, também acabo colocando um pouco da minha personalidade na hora de interpretá-las. As músicas do Rosa de Saron são um exemplo disso e a repercussão dos últimos vídeos lançados do projeto foi bem positiva. O último vídeo inclusive, contou também com a participação do Renato Vianna e foi bem legal gravar com ele, a equipe toda do projeto é maravilhosa, e tem sido muito bom fazer parte disso.

Inspirando Sonhos: Quais sentidos você atribui à palavra artista?

Ser artista, na minha opinião, é conseguir expressar os sentimentos, seja em palavras, harmonias, melodias, desenhos, histórias, coreografias, enfim, de forma que isso chegue até as pessoas e de alguma forma consiga tocar, impactar e até mudar a vida delas, transformar um dia ruim em um dia melhor, trazer esperança, unir as pessoas.

Inspirando Sonhos: Feminismo é necessário e urgente. O que você pensa sobre o feminismo? Você acha que o tema está presente em suas expressões artísticas?

Eu também penso no Feminismo como algo necessário. Eu acredito que já houve mudanças positivas em meio a todo esse movimento, mas o machismo ainda é algo muito enraizado, e nós mulheres ainda nos deparamos com muitas situações desagradáveis em nosso dia a dia, simplesmente por sermos mulheres, seja no trabalho, ou em relacionamentos, enfim, acho que o empoderamento da mulher e a nossa união é mais importante do que nunca nesse momento, e mesmo ainda nos deparando com violência, desrespeito, entre outras coisas, não podemos desistir de impor o nosso lugar.

Acho que a partir de agora, esse tema vai estar muito mais presente em minhas expressões artísticas. Neste trabalho recém-lançado não foi um tema que teve muita força, mas não por não ter o feminismo dentro de mim, e sim porque o momento em que essas canções foram escritas era sempre em meio a relacionamentos, questões amorosas que acabavam sendo minha maior inspiração no momento de compor. Já o momento que estou vivendo agora é muito mais inspirado por esta questão do empoderamento feminino, independência, e acredito que mesmo que eu fale sobre amor em minhas canções, será de uma forma diferente, mais sobre amor próprio, coisas assim.

Inspirando Sonhos: Pode nos falar de suas memórias escolares? Seu tempo na escola…

Eu lembro que não era muito fã de ir à escola, não via a hora de ser adulta, mal sabia eu que aquela vida que era boa, né? Mas tenho muitas lembranças boas dessa época. As aulas que eu mais gostava eram inglês, artes, Ballet, Jazz e adorava também as apresentações de fim de ano. A gente se preparava o ano todo para se apresentar e era muito legal. Outra coisa muito boa daquela época é que não tinha celular, nem tanta tecnologia como hoje, e eu passava bastante tempo brincando com os meus amigos, tem coisa que eu nem lembro como brinca mais, brincadeiras com barbante, dobradura de papel abre e fecha, nossa, tem várias.

Inspirando Sonhos: Quais são os sentidos da vida? Como você os expressa através da sua arte?

Acho que transparência, honestidade, gentileza, solidariedade, amor, são coisas que fazem a nossa vida ter sentido. Tudo que fazemos com carinho, com paixão, faz sentido, nos traz paz. Tem muita coisa ruim no mundo, mas não podemos nos esquecer de dar espaço para essas coisas boas e tentar propagar isso. Quando estou cantando, não importa quantas pessoas estão me assistindo, mas se eu conseguir tirar alguns sorrisos, tocar o coração de algumas pessoas e fizer o dia delas mais feliz, já ganho o meu dia também.

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