Alimente sua alma. Inspire Sonhos!
Telefone
Mariana Ser e suas fotografias conquistam galerias na Europa

Por Mariana Ser

A fotografia chegou à minha vida numa fase difícil da escolha profissional. Eu havia acabado de me frustrar como atleta, fazia atletismo pela equipe de São Caetano do Sul e tive um problema sério de coluna, bem na época de prestar o vestibular. Observando a situação com cuidado, percebi que a coleção de fotos que eu tinha guardado numa pasta era mais do que parecia. Afinal, como é que os fotógrafos faziam aquelas imagens maravilhosas? Comecei a pesquisar, ler e fiz um curso básico na Kodak perto de casa.

Foi um conjunto de coisas, meu pai sempre filmava tudo o que fazíamos em casa. Mas tudo mudou quando vi a foto da Menina Afegã, do Steve McCurry, na capa da National Geographic. Lembro que comprei a revista e fiquei por mais de dez minutos olhando aquela foto, hipnotizada. Foi definitivo, um amor arrebatador pela fotografia! E isso já faz quinze anos. De lá pra cá, a fotografia me proporcionou muitas coisas boas.

Fiz cursinho da Poli (USP) e passei na faculdade Senac/SP, que na época tinha seu vestibular pela PUC/SP. Durante os quatro anos de curso pegava a máquina fotográfica emprestada dos colegas.

Assim que iniciei os estudos também começaram os trabalhos. Fui assistente em estúdios que fotografavam pessoas famosas, aprendi a lidar com luzes externas, internas e misturadas; tratamento de imagem publicitária; cuidar do equipamento; pintar fundo infinito; lidar com clientes; fotografar arquitetura; revelar filmes; ampliar fotos em laboratório preto e branco, enfim, fui assistente de vários professores. Acredito que tive sorte porque estudei metade da faculdade na era analógica e a outra metade na digital. Acompanhei essa movimentação de dentro da faculdade, dividindo com os colegas as novidades e a resistência ao novo modo de registro trazido pelo digital.

Foram anos de aprendizado e observação, mais precisamente sete anos, até que decidi que estava pronta pra tentar algo meu. A essa altura eu já dava aulas de fotografia e fotografava casamentos por conta própria. Então, abri a Camomilla Fotos, que me levou a fotografar muitas famílias. Algumas eu acompanho até hoje, suas trajetórias também foram aprendizados pra mim. Percebi nesse período que gostava bastante de fotografar pessoas e que esse seria mesmo o caminho a percorrer. No entanto, as colagens que eu produzia não cabiam na Camomilla Fotos, havia outros potenciais do meu trabalho que não cabiam nesse viés. Resolvi, assim, abrir uma empresa com meu nome artístico, Mariana Ser, que me deu liberdade para retratar pessoas com um formato mais criativo.

Nessa fase, tive destaque na grande mídia através do projeto “As mulheres que eu gostaria de ser”, uma série de autorretratos mostrando mulheres que me inspiram, me transformando nelas. Esse trabalho exigiu de mim uma veia teatral e o entendimento de que o meu corpo também pode ser um ato político ou uma forma de empoderamento feminino.

Também nessa época fui chamada para expor meus trabalhos na Galeria 3D em Lisboa. Eu não tinha como ir até lá, então, abri um crowdfunding e graças aos meus amigos e familiares consegui bancar todos os meus custos. A campanha durou apenas quinze dias e bastante gente desconhecida colaborou, foi especial. Pude sair do país e realizar minha primeira exposição individual na Europa. Fortes emoções!

Neste ano de 2017, fiz parte da exposição feminista e coletiva “Marias”, de curadoria da Andrea Tolaini e do Leo Otero, que levaram obras de onze artistas brasileiras para Porto, em Portugal, e pra Barcelona, na Espanha. O evento proporcionou rodas de debates e foi um sucesso de público.

Também nesse ano comecei a filmar e realizei um mini documentário com o Coletivo Maria dos Pimentas, da UNIFESP, campus Guarulhos, além do videoclipe da música “Química” do Jairo Pereira, com direção da Aimê Uehara. Um grande aprendizado como videomaker.

Atualmente, ministro aulas de fotografia, edição e colagem. Fotografo eventos sociais, corporativos, espetáculos musicais, teatrais e faço retratos por encomenda.

Planos para o ano que vem? Tenho planos para uma exposição individual em São Paulo. Continuar lecionando para crianças nas periferias e iniciar a pesquisa de mestrado, quero fazer na área de Ciências Sociais. As questões de desigualdade social sempre aparecem nos meus trabalhos e é algo que me toca muito. A antropologia entrou na minha vida agora e vem fundamentando diversas dessas questões sociais que tenho comigo.

Fotografar mais pessoas negras, mostrar mais a cultura afro-brasileira, uma escolha que fiz. É a minha maneira de reparação histórica e tentativa de equidade, por meio das artes visuais.

Se eu pudesse dar conselhos pra quem está começando agora: estude muito, não desista pela falta de incentivo, pra ser fotógrafo no nosso país é preciso muito amor ao que se faz. Acredite em você. Vale a pena!

Confira alguns dos trabalhos de Mariana.

Créditos da imagem de destaque: Marcello Vitorino

Adicionar Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios são marcados *