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O Blues de Robert Crumb

Por Roberto Elísio dos Santos

O mais conceituado artista do movimento underground norte-americano, o quadrinhista Robert Crumb, sempre foi um apreciador da música negra de seu país, especialmente o Blues. Colecionador dos chamados race records, os discos de 78 rotações dos cantores ou grupos das décadas de 1920 e 1930, o artista chegou a montar um grupo, R. Crumb and his Cheap Suit Serenaders.

Além disso, sua paixão por este tipo de música levou-o a ilustrar capas de discos, cards que trazem as biografias de músicos, cartazes de shows e lojas de discos antigos e, claro, histórias em quadrinhos que enfocam o ambiente musical, seus intérpretes e as letras das músicas, em verdadeiros clipes quadrinhográficos.

Este material foi lançado, agora, pela Conrad Editora – que já colocou à disposição do leitor brasileiro álbuns com histórias de Fritz the Cat, Mister Natural, a reunião de diversos trechos da revista Zap Comix, e a visão de Crumb sobre seu país, no álbum América -, numa edição em capa dura intitulada Blues, que compila diversos trabalhos realizados por Crumb focalizando a música negra norte-americana.

Vindo da África, este som desenvolveu-se nas fazendas de algodão dos Estados Unidos como um grito de lamento e de revolta dos escravos. Sua influência foi fundamental para a música ocidental, sendo a raiz de onde surgiram, por exemplo, o rock’n’roll e o reggae.

O álbum traz quadrinhos que relatam a vida do cantor de blues Charley Patton e a maldição que teria se abatido sobre Jelly Roll Morton, além das aparições do próprio Crumb e de Mister Natural. Há, inclusive, um libelo do autor contra essa detestável música pop moderna, na história Por que será que ver pessoas agitando e requebrando é tão repugnante para mim??. Entre os clipes quadrinhográficos, não poderia faltar o emblemático Keep on truckin’, que até processo rendeu a seu autor. E o destaque das capas de discos é Cheap thrills, da cantora Janis Joplin, a quem o desenhista venerava.

Por todos estes motivos, o álbum Blues merece ser lido por pessoas de bom gosto. De preferência, com um disco (pode ser CD, mesmo) de blues tocando no aparelho de som com aquelas velhas músicas cheias de chiado interpretadas por Robert Johnson e outras estrelas da música negra americana da primeira metade do século XX.

Blues tem 104 páginas em cores e histórias em preto branco ao preço de R$ 46,00. A edição, conta, ainda com uma introdução escrita por Rosane Pavam e posfácio do próprio autor.

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Roberto Elísio dos Santos é pesquisador sênior do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, jornalista, doutor em Comunicação pela ECA-USP, professor do IMES – Universidade Municipal de São Caetano do Sul e autor do livro Para reler os quadrinhos Disney (Editora Paulinas).

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