Alimente sua alma. Inspire Sonhos!
Telefone
O Rap virou vida e vida virou Rap

Por Thiago Carlos

Meu nome é Thiago Carlos filho de nordestinos e morador da Zona Leste de São Paulo.

No Rap recebi o “vulgo” de Real Tegê, (Real porque consigo transmitir a verdade que nos cerca, “T” vem de Thiago, “G” vem de Galdino). O Rap virou vida em casa pelas influências que tive do meu pai, musicalmente falando: Jorge Ben, Fundo de Quintal, Racionais, Sabotage, NWA (sigla do inglês Niggaz Wit Attitudes, Negros com atitudes), Nas (nome artístico de Nasir bin Olu Dara Jones), Wu Tang Clan e Bezerra da Silva. Todos esses artistas me fizeram refletir e entender as questões que perpassam a sociedade, com outros olhares, formatos diversos, ressaltando novos aspectos. Cresci em um lar bem musical.

Nenhuma dessas coisas me foram ensinadas na escola. Percepção que só o Rap e outros gêneros musicais me transmitiram.

Aos quinze anos de idade conheci um “mano” na escola chamado Brendo, que também curtia muitos sons da periferia. Ele manjava do assunto e me falava que o Rap tinha uma mensagem contundente. Apenas depois de trocar muitas ideias com ele é que entendi o clássico do Sabotage, “Rap é compromisso”.

Cultura periférica é identificação! O que é dito nas letras, misturadas com as batidas de peso, com a força que a realidade é contada, me representa. Dois universos paralelos vi diante dos meus olhos: de um lado o “boy” que tem tudo fácil e não dá valor. Do outro, eu lutando pra conquistar o meu, dando valor pra tudo que adquiri.

As desigualdades sociais me foram mostradas e, ao mesmo tempo, vivenciei os diversos formatos de injustiças. Na escola da vida foi isso que aprendi. No embalo da vida, a fé e o Rap sempre foram alimentos aos meus objetivos e desejos, mas, diversas vezes, olho para o futuro e as perguntas povoam minha mente. O que vai ser de tudo isso? Em quais lugares posso chegar?

Trabalhando como mais um guerreiro, entre tantos, para fazer minha mãe sorrir e honrar minha casa.

Nessa jornada, um dia conheci um mano chamado Kamau e escutei o som chamado “Poesia de Concreto”. Alguns versos da canção resumem o que eu vivia, ao conhecer o estímulo musical que passou a fazer sentido à minha vida.

O Rap é companheiro da vida e perdi meu trabalho nessa crise política em que estamos. Comecei, então, a contribuir bem mais do que quando simplesmente escutava, com tudo que a vida ensinou, experiências pessoais, observações da realidade.

De um lado, o sonho de fazer um som, do outro, a necessidade de honrar sua casa visando o sorriso dos pais, família em primeiro lugar. Observando a realidade de quem tem e não dá valor, aquele que menospreza a própria família. Lamentável! No gingado dessa dança, escolho lutar, me esforçar, sabendo que os sonhos acontecem na medida da fé, na medida da determinação.

Foi quando percebi as inúmeras razões para rimar e continuar.

Hoje na humildade mando uns versos, de uma música que fiz chamada “Muleque Sonhador”:

Se o Rap contribuiu na educação
Na faculdade da vida
Mais uma lição
Os ‘beat’ que move o seu coração
Na rua toca
No fone de cada irmão

Hoje não só o fone, mas o caderno está comigo no corre diário. O sonho de desenrolar as ideias, de gravar todos os versos que enriquecem o caderno. Falta apenas uma “moeda” pra fazer acontecer. Acredito que pra tudo existe um tempo. Sempre vai ter quem não acredite no seu sonho, aquele que ri na sua ausência, isso também é inspiração pra rimar:

Entre o mentiroso e o verdadeiro
Entre o pilantra e o justo
Identifico o joio e o trigo
Estou esperto amigo
Não olhou no meu olho
Eu já ganhei a maldade
Falta de sinceridade
Instrumento pra covarde

Sigo grato a Deus e à minha mãe, Maria Paraibana, com a experiência refletida em seu cabelo branco e ao meu pai Antônio. Eles sempre me apoiaram em tudo!

Ouso terminar com outros versos, de minha autoria, puro e simples:

O sorriso de uma criança
Chamou minha atenção
Talvez seja sua inocência
Ou o brilho em seu coração
Em um mundo onde cobra
Criou asa pra voar
E a mentira tomou forma
Pra verdade se ocultar

O Rap virou vida e vida virou Rap.

PS – Para ler a segunda parte da matéria clique aqui.

4 Comentários

  • Daniela Mendes Posted 2 de outubro de 2016 14:46

    Muuuuuuuuuiiiito bom!!!! Sucesso parceiro

  • Hel Posted 3 de outubro de 2016 19:41

    Parabéns Neguinho ♡
    Você é Fruto de Benção e Orgulho.

  • Leni Reis Posted 6 de outubro de 2016 18:20

    Menino admirável! Sempre surpreendendo…. Thi, peguei você no colo e hoje parece que temos a mesma idade. kkkkkkk Vai lá garoto, através da música, do ritmo, da batida do coração, mostrar o que precisa ser mostrado. A realidade das periferias, as injustiças sociais e os excluídos e subjugados da nossa sociedade! Te amo priminho.

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