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“O show continua até hoje e vai continuar por muito tempo”, entrevista com o Grupo Fundo de Quintal

O Grupo Fundo de Quintal compartilhou com a equipe Inspirando Sonhos parte da trajetória do grupo intercalada com a história do samba, sonhos do começo de carreira e que hoje já foram realizados e os desafios encontrados ao longo da caminhada na música.

Inspirando Sonhos: Qual a importância do samba para a cultura brasileira?

O samba está entre as maiores representações da cultura brasileira. Nós o amamos, nós participamos, nós vivemos dele, para ele, enfim, temos certeza de que o samba é a maior promoção do Brasil, no exterior, em termos de gênero musical.

Inspirando Sonhos: Quais sonhos vocês tinham no começo da carreira e hoje já foram realizados na história do grupo?

Em primeiro lugar, a aceitação do público, que é notória. Nós temos o prazer de poder dizer que graças a Deus, todos os nossos shows, onde quer que venhamos a comparecer, é lotado, com o público cantando o nosso repertório. Em segundo lugar, as premiações que nós almejávamos, como os prêmios da música brasileira. E terceiro, conhecer um pouco o exterior que nós conhecemos mostrando o nosso samba verdadeiro. Sabemos que são gratificações além de tantas outras que recebemos, mas de momento o que nos vêm são essas.

Inspirando Sonhos: Vocês enfrentaram muito o racismo?

Por incrível que pareça mais no Brasil do que no exterior. Porque quando somos convidados a participar de algum evento no exterior, as pessoas já respeitam, mostram que apreciam simplesmente pelo convite. Mas, já enfrentamos sim, são coisas que não gostamos nem de falar delas. Passaram, a vida continua e a melhor maneira de lutarmos contra esse racismo é sermos bons naquilo que fazemos.

A cantora Beth Carvalho com uma das formações do Grupo Fundo de Quintal.
Crédito: Divulgação

Inspirando Sonhos: Qual é o significado da palavra artista para vocês?

Ser artista é você ser bom naquilo que faz. E nós, modéstia à parte, nos consideramos artistas, na arte de fazer, de tocar, de compor, de dançar o samba. Nós somos artistas do samba.

Inspirando Sonhos: O samba ainda é resistência cultural?

Claro, é uma resistência cultural nas suas mais diversas vertentes. Vemos as pessoas falarem do samba desse tipo, do samba daquele tipo, samba do outro tipo… O importante é que todo mundo está cantando samba e, desde que cante o samba, está bonito, está legal. Nós, do Grupo Fundo de Quintal, temos a nossa ideologia musical, então, nós cantamos samba do nosso jeito, o nosso samba é o samba tradicional.

Inspirando Sonhos: O show continua até hoje? Como a Beth Carvalho participou do começo da história do Fundo de Quintal?

O show continua até hoje e vai continuar por muito tempo, se Deus quiser. E quanto à Beth Carvalho, falar dela é falar do início da nossa história, de tudo o que nós conseguimos conquistar até hoje, tendo sido ela a primeira a acreditar naquilo que fazíamos ao comparecer na quadra do Cacique de Ramos e ver a gente tocar, cantar, apresentar instrumentos novos. Ela vibrou com aquilo que acontecia lá e teve a coragem de levar aquilo que estava acontecendo para o disco dela, em 1978, “De pé no chão”! Foi, aliás, a nossa primeira experiência profissional. E em 1979, já gravamos também outro disco com ela. No primeiro foi logo o sucesso de “Vou festejar”, em 1978. E em 1979, o sucesso foi “Coisinha do pai”, músicas de compositores do Grupo Fundo de Quintal. Enfim, a Beth significou o tiro de meta, o início da nossa carreira e a continuidade também, pelo respeito, pela crença e pelo que é. Essa é a nossa madrinha, Beth Carvalho!

Inspirando Sonhos: Acreditam que a música de vocês contribuiu em algum aspecto para a formação não apenas de músicos, mas de escritores?

Está aí a quantidade de profissionais da música, que trabalham tocando instrumentos, criados por nós do Grupo Fundo de Quintal. Citamos o tantã, lançado no samba pelo Sereno, o repique de mão criado pelo Ubirany, um dos fundadores do grupo, o banjo introduzido no samba pelo Almir Guineto, um instrumento de música country, com as modificações previstas por ele. Quantos músicos passaram a sobreviver ao tocar esses instrumentos, ao fazer apresentações! E claro que influenciamos na forma de compor, a partir do Grupo Fundo de Quintal, o samba passou a ter letras mais trabalhadas, mais buriladas. Achamos que teve influência tanto na formação de músicos, quanto na formação de compositores, escritores, haja vista várias publicações que têm sido realizadas. Enfim, essa é a nossa grande gratificação profissional, por termos contribuído para o samba dessa maneira.

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