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Um convicto suburbano

Alessandro Buzo é sinônimo de superação, empreendedorismo, coletividade, pensando não apenas na expressão periférica, simbolizando camaradagem e irmandade, como alguém que tem um ‘colê’ com a rapaziada.

Falamos da sua notável habilidade de juntar gente, reunir pessoas, todas pelas suas dores e indignações sociais, daquelas que anseiam em ver o jogo da perpétua história virar. História nem sempre registrada nos livros didáticos oficiais utilizados nas escolas de educação básica, oprimindo os povos indígenas e a população negra.

Quem frequenta o Sarau do Suburbano Convicto (vulgo escolhido por Alessandro Buzo), que acontece todas as terças em sua livraria no bairro do Bixiga, morre de amores pela poesia e carrega a suprema esperança de que nas quebradas não será apenas o som das tragédias a soar, mas o das palavras rimadas, conscientizando todos da real situação que vivemos em nosso mundo, especialmente quando falamos das grandes metrópoles.

Brasil, ainda um país não muito apoiador de práticas culturais, apesar de ser fértil culturalmente. Ainda bem que, mesmo remando contra a maré, vemos nascer ativistas culturais aos montes.

Ele tem doze livros publicados e ainda organiza coletâneas, antologias, para apoiar escritores que não encontram espaço em grandes ou pequenas editoras. Não apenas um Suburbano ConvictoEle é, como provavelmente diria o grande mestre Antônio Abujamra, um subversivo da periferia.

Inspirando Sonhos: Queremos saber qual é sua trajetória… Pode falar livremente, valorizando todas as habilidades que você possui.

Sou nascido e criado no Itaim Paulista, comecei a trabalhar no centro de São Paulo aos 13 anos de office boy em 1985, tenho 43 anos. Vivia uma vida normal de periférico até quando resolvi escrever um livro e publicar independente em 2000, isso mudou minha trajetória. Escrevi pra protestar contra os trens lotados e todos os aperreios que passava na CPTM, na linha que liga o Itaim ao Brás. Antes disso eu escrevia em jornal de bairro e fanzine. O gosto pela literatura herdei da minha mãe Luzia Buzo (in memoriam). Com o livro, novas possibilidades surgiram, mas seguia trabalhando paralelo, fiz isso por sete, oito anos. Trabalhava pegando trem lotado e ia lançando meus livros, promovendo eventos. Em 2007 decidi largar o “trampo” e só trabalhar em coisas com que me identificava, ligadas à cultura, acabei numa produtora de vídeo no Bixiga, a DGT Filmes, no prédio onde hoje tenho a Livraria Suburbano Convicto, a partir da DGT cheguei à TV Cultura com um quadro no programa Manos e Minas em 2008, eu já estava desde a estreia do programa. Em 2009 fiz o filme Profissão MC sem captar nenhum real e mesmo com TV e cinema, nunca deixei de lançar meus livros, hoje tenho doze publicados e organizei outros nove. Sigo nessas frentes até hoje. A novidade no momento é que sou candidato a vereador em São Paulo pelo PCdoB. Uma luta toda nova pela frente. Continuo escrevendo minha caminhada.

Inspirando Sonhos: Depois de tantas parcerias e trabalhos desenvolvidos com grandes e pequenas instituições, como conseguiu permanecer um Suburbano Convicto?

Era importante pra mim não me deslumbrar com nada. Tive infância pobre, usei drogas uma década e vivi o descaso dos trens lotados e baixos salários. Quando as coisas começaram a melhorar, passei a andar de avião, conhecer o Brasil, ficar em bons hotéis, precisava me manter focado e isso só era possível se cada vez mais eu fosse o Suburbano Convicto e não o contrário. Trabalhei por três anos no SPTV da Globo, mas nunca paguei de Global, sabia que tinha prazo de validade. Mas, principalmente, porque meu coração é periférico e isso visibilidade nenhuma é capaz de apagar.

Inspirando Sonhos: Alessandro Buzo e a política… Como surgiu a ideia de você enveredar para o lado da política partidária?

Passei a ter uma proximidade com a deputada Leci Brandão, de quem sempre fui fã como artista, o convite venho dela, amadureci a ideia, pensei muito e passei a acreditar que o caminho é um (ou vários) dos nossos ocupar as cadeiras de poder para, de fato, fazer coisas de interesse do povo. Essa é a minha nova missão, estar lá, fazer o que for possível, sem me corromper.

Inspirando Sonhos: Fale-nos de suas memórias escolares…

Não são assim tão marcantes na minha vida, a minha escola de infância era a pública Antonio e Arthur Begbie no Jardim Campos no Itaim Paulista, vivi bons momentos lá, mas não tenho mesmo uma ligação assim tão especial. Lembro com carinho de uma professora de português de nome Célia, que elogiou uma redação minha e leu pra classe. Mas acabou que tive de começar a trabalhar cedo. Meu pai foi embora e não ajudou mais, naquele tempo não consegui conciliar escola e trabalho e acabei parando de estudar cedo, não tenho nem o primeiro grau completo.

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